Carlos Leite Ribeiro

 

Castelo Mouro Sintra Portugal

 

O Escritor faleceu em 26 de Janeiro de 2018

Olá, sou o Carlos Leite Ribeiro !


Talvez se interessem em saber algumas coisinhas de mim, como por exemplo do que eu mais gosto. Então ...

MEUS HOBBYS PREFERIDOS:

- Escrever sobre qualquer tema.
- Ler qualquer tema.
- Ouvir música latina (gosto muito da música brasileira !).
- Conviver com amigas.
- Fazer longos percurso pedestres (sempre mais de 10 Km).
- Passeios românticos à beira mar.

O QUE MAIS ADMIRO:
- DEUS !.
- A mulher - uma maravilhosa obra de Deus !.
- O pôr do SOL.
- O Mar (oceânico).
- Uma paisagem campestre.

O QUE MAIS GOSTO DE COMER:
- Cozido à portuguesa.
- Arroz de marisco.
- Bacalhau à "Gomes de Sá".
- Ensopado de borrego.
- Qualquer tipo de churrasco.

DOCES:

Sou terrivelmente guloso ! mas gosto muito de: -
Doce de ovos com amêndoa.
- Doce de gila.
- Barriguinha de freira.
- Geleia de maçã.

FRUTA:
Gosto de toda a qualidade, mas em especial:
- Morangos. - Maçãs. - Pêras. - Melão

VINHOS PREFEREIDOS:
Só às refeições: - Se for peixe: vinho branco fresco.
- Se for carne: vinho tinto com temperatura normal.
Bebidas sociais:
- Whisky velho. - Porto fresco - Brandy com o copo aquecido.

PEQUENO ALMOÇO PREFERIDO:

- Fibras e flocos de aveia com leite.

DESPORTO:
Gosto de ver: - Futebol (principalmente quando o meu clube, o Sporting, ganha.
- Andebol de Sete.
- Atletismo (preferência para as provas de fundo).
- Basquetebol.
- Futebol de salão.

COMO ME VISTO:
- Normalmente ando vestido de jeans, camisa e camisolão, e ténis.
- Em ocasiões especiais também sei pôr gravata, casaco sempre de cor diferente das calças e sapatos a condizer.

PERFUME:
- o que mais aprecio é o "KOUROS" e o "BRUTS".

PASSEIO DOS MEUS SONHOS:
- Um longo cruzeiro ao Mediterrâneo no "barco do Amor".
- Um passeio pelo "calçadão" de Copacabana até ao Leblon...

PASSEIO QUE GOSTO MAIS DE DAR:

- SINTRA !
A MAIS BELA, A FORMIDÁVEL, ESTUPENDA, MARAVILHOSA SERRA !

PRECISAM DE ALGUM GUIA ?...

 

S O L I D Ã O

Carlos Leite Ribeiro


Bem cedo habituei-me a estar só.
Já várias vezes tentei descrever a palavra "solidão" por gestos.
Fingi que chorava, assumi um ar desamparado e até murmurei o que pensei que fossem sons solitários.

 Mas a definição "solitário"é muito difícil de descrever - é mais fácil senti-la.
Saber distinguir entre sozinho e o solitário, pode ser importante, mas eu encontro alívio e paz na solidão.
Habituei-me à solidão.
Um escritor gosta de estar só, escrever como se tivesse a falar consigo próprio,

sem precisar de gente para arrumar as cenas.
A solidão na juventude é triste porque até então não se aprendeu a arte de viver confortavelmente com ela.

 Em geral, só na maturidade é que a solidão se torna deliciosa.
Hoje, quando me sinto perplexo, procuro na solidão, na eloqüência do silêncio, e espero que

 as respostas cheguem. E elas chegam ...
O escritor - um eremita na caverna da sua mente - muitas vezes é uma pessoa solitária.

 Mas a solidão também pode ser um doce sofrimento, ao que dizem, torna-nos mais sinceros.
Ao passarmos por uma rua movimentada, em geral passamos pelas pessoas sem olhar para elas.

Porém, numa rua tranqüila, quando nos aproximamos de uma pessoa sozinha, a cumprimentamos, e até falamos com ela.

É um acto estranho, provocado pelo magnetismo inexplicável de duas pessoas que se sentem sós.
A idéia que eu tenho de um lugar perfeito para morar, é uma casa no meio dum pinhal,

 à beira de um lago, com muitos animais em redor,

 e da qual eu não pudesse ver outra qualquer.

Nem mesmo uma chaminé distante, para não destruir a minha sensação de tranqüilidade.

De noite, as janelas iluminadas, são olhos curiosos que me espreitam
Aqueles que vivem compreensivamente com a solidão, acham-na uma companheira tolerável, simpática e até empolgante.
Para quem gosta, a solidão tem os seus encantos.
Hoje, na minha idade, se eu fosse representar a solidão, havia de sorrir e fazer um ar satisfeito.


CARLOS LEITE RIBEIRO «» Marinha Grande «»

P O R T U G A L



A ÁRVORE

Carlos Leite Ribeiro


Eu sou uma árvore, e já há muito tempo.
Embora já não seja nova nem a mesma de alguns anos atrás, sou feliz. Até muito mais feliz que então !
Todos os dias vivo um dia diferente. À minha frente nunca passam duas pessoas completamente iguais.

As pessoas são como nós, todas diferentes umas das outras.
Vejo todos os dias caras diferentes, de pessoas novas, menos jovens e velhas - e sou feliz !
E, para quem diz "Quem vê caras não vê corações" o mundo para ela encontra-se metido entre quatro paredes,

 pois não podem ver outros olhos com toda a sua profundidade, e então, necessariamente, não podem ver nenhum coração ...
Há pedaços de mim que se multiplicam, mas eu não crescerei muito mais.
O meu mundo e o meu espaço será sempre este para sempre.
Por vezes alguém passa por mim e risca-me ou tira um pedaço de casca ...
Áh ... no outro dia, um par de namorados rabiscou na minha casca um par de coraçõeszinhos, atravessados por uma flecha

 (a flecha do Cúpido ...). Achei tanta graça que até tive vontade de os chamar e de lhes desejar muitas felicidades e um brilhante futuro.
Mas, também já têm feito chi-chi contra mim e até outras coisas ... mas são presentes que eu dispenso muito bem !
Posso não Ter estômago, intestinos, pernas, braços ou cara, mas tenho coração, que é só meu !
Podem rirem-se, uma árvore com coração, mas é real ...
Vou contar-vos um grande segredo: todas as noites, quando a Lua aparece e faz estremecer os corações

 mais frígidos e que envolve com o seu luar os corações mais apaixonados pelos cantos mais escuros, eu arranjo-me,

 componho muito bem os meus ramos e, vou ter com o meu namorado ... chiuuu, porque isto é segredo !
E lá ficamos os dois muito entrelaçados um no outro, trocando olhares, carícias e carinhos, alimentando

 um amor que eu considero platónico.
Depois, volto para o meu lugar, fecho as pálpebras, mesmo sem ter olhos para fechar. E faço hó-hó ...


A Maçã


Carlos Leite Ribeiro


E eu aqui metida nesta ambulância, cheia de dores.
Nunca mais chegamos ao hospital ! e tudo começou por causa de uma maçã !...
Era eu pequenita e andava na escola primária, e, no trajecto de regresso à minha pobre casa,

passava sempre pela frutaria do pai do Artur.
Naquele dia, num dos expositores que ficavam em cima do passeio, estavam em exposição uma belas e lustrosas maçãs.

 Os meus pais eram pobres e eu já há muito que não comia fruta.
Parei extasiada a admirar as maçãs. Tive a tentação de roubar uma, mas hesitei. Foi quando atrás de mim

 apareceu o Artur, que me disse:
"Ana, estas maçãs devem ser muito saborosas !...".
"Sim ! devem ser uma delícia, Artur ..." - respondi eu ao meu colega de escola.
"Porque não compras uma ?!" - perguntou-me o Artur.
"Olha, porque não tenho dinheiro. Bem sabes que os meus pais são muito pobres" - disse-lhe já quando me afastava.
No outro dia, na hora do recreio, o Artur abeirou-se de mim, e, timidamente, entregou-me um saco de papel, dizendo:
"Toma, isto é para ti, Ana".
Curiosamente, rasguei o saco e, lá dentro estava uma bela e lustrosa maçã !
As lágrimas saltaram-me e tive vontade de o abraçar.
Mas o Artur já se tinha retirado .
Durante anos, o Artur sempre me presenteou com saquinhos de papel, tendo lá dentro sempre uma maçã.
E, por causa da maçã, um belo dia casámos; e, também por causa da maçã,

vou aqui dentro desta ambulância a caminho do hospital,

 onde conto dar à luz o nosso primeiro filho.
Uma maçã dada pela Eva, dizem que atrapalhou o Adão; e uma mação dada pelo Artur,

 está a atrapalhar-me e dar-me muitas dores.
Mas dentro em pouco o fruto do nosso grande amor nascerá, e, tudo voltará à normalidade.
E tudo isto por causa de uma maçã !!!


CARLOS LEITE RIBEIRO

Marinha Grande - Portugal

http://www.caestamosnos.org/



 

 

 

Mid: mar
Art: Nadir A D'Onofrio
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