Dionisio Teles

 

 

O Autor faleceu em 12/11/2010

 

 

Formado em Administração de Empresas, é empresário da área metalúrgica em Barueri – SP e tem 55 anos de idade.

Escreve artigos para revistas da região sobre administração e indústria.
Escreve crônicas e poesias para o jornal "Correio do Sul" da cidade de Varginha em Minas Gerais.

Participou de um livro de antologia poética publicado pela Editora Jangada,
lançado em São Paulo e outro pela CBJE , no RJ, e um livro de crônicas. Participou da 7ª Antologia dos Anjos de Prata.

Foi designado Cônsul para a cidade de Barueri-SP, do movimento internacional
“Poetas Del Mundo”, com sede em Santiago do Chile.

Venceu o concurso de poesias de Carnaval - 2006, do site Autores & Leitores,
com a poesia: “ Carnaval do Olimpo ao Pelourinho”.

Menção honrosa no concurso de Prosa – 2006, da ASES – Associação de Escritores de Bragança Paulista,
com a crônica: “ Conversando com o Vento”.

Escreve para alguns sites de crônicas e poesias:
 



AH! SE ALGUM DELES TE VISSE
Pseudônimo: Diotel



Ah! Se Jorge Amado te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez ele não escrevesse
os romances que escreveu.
Talvez se apaixonasse
e, por paixão ou por medo
mudasse todo o enredo,
tirasse o cravo e a canela
colocando no lugar dela,
você, mulher - Dona Flor.
Quem sabe até – numa heresia !
mudasse de Salvador.

Ah! Se Caymmi te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez ele não compusesse.
Marina, teria outro nome,
e na certa seria o seu.
E ele, homem de fé
talvez se tornasse um ateu,
indo ao Bonfim à pé
somente para proclamar :
João Valentão fraquejou,
e o “doce morrer no mar”
morreu ao te encontrar.

Ah! Se Caribé te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez ele não pintasse
as cabeças de filho-de-santo.
E ele que era inquieto
talvez se acostasse num canto
clamando a Iemanjá, seu afeto.
Talvez não pintasse as mulheres,
negras esculturais
talvez só pintasse você.
Outra mulher, nunca mais
turista algum há de ver.


Ah! Se Mário Cravo te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez ele não esculpisse
no cobre, no ferro ou latão.
A sua obra-prima seria
somente buscar a moldura
arrancar toda a luz do dia,
e você seria a escultura,
eternizando o momento
na lente da fotografia,
a sua segunda paixão.

Congelando assim, a emoção.


Ah! Se Vinicius te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez ele não poetasse.
Seria impossível um poema,
não mais a Garota de Ipanema,
não sairia nem mesmo um fonema.
Tudo porque sua manha
inibia o Canto de Ossanha,
e o poetinha de Arrastão
louco, se poria a declamar:
Sei lá...a vida tem sempre razão,
eu sei que vou te amar.


Ah! Se algum deles te visse
antes que eu te encontrasse.
Talvez eu não existisse !

 

AS FLORES QUE TE DEI (onírico recado)

Dionisio Teles


as flores que te dei
quantas, nem sei
- rosas, com certeza
relíquias da natureza
podem não ser de Pixinguinha
- vã pretensão minha
quiçá as flores de Cartola
- eu, pobre poeta gabola

as flores que te dei
são rosas que levam um recado:
te dizem que amar não é pecado
confirmam que gostar é sagrado
ensinam que é bom ser amado

as flores que te dei

isso, eu bem sei
amanheceram abertas
- belas e despertas

porque dormiram contigo
- num sonho aonde te digo:

sonhes um pouco comigo

pois meu amor é antigo



ESTRANHA COMPANHIA
Dionisio Teles


a pior parte de estar só

é a companhia

estranha companhia

- eu mesmo

(comigo só)

nem mesmo o tempo tem dó

e judia

fica mais tempo ao meu lado

do que deveria

- come no meu prato

aspira meu ar

dorme na minha cama

e, quando imagino que se foi

me chama


é estranho estar só

(pior do que ficar sozinho)

é como achar o caminho

e não prosseguir a viagem

- perder o compasso

mesmo sem ter dado um passo


passa o trem do meu destino

e fico parado na estação

acho que isto é solidão


https://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=4989



 


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Art Nadir A D'Onofrio
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