Zelisa Camargo

"Loba do Cerrado"

A Autora faleceu em 11 Setembro 2007

 

QUEM EU SOU ?


Pergunte a você.
O que eu sou para você?
Isto importa ? !
Ser eis me aqui :
Nua despida integra cristalina.
Quem eu sou ?
Pergunte ao vento.
Ao riacho.
À natureza.
Ao amor.
Ao tudo.
Ao nada.
Não se questione...
Sinta apenas,
Ai você saberá quem eu sou
Um pouco de você
Um pouco do nada
Um pouco do tudo
Sou...
Simples peregrino da vida.
Nossa essência tem valor.
Tento levar meu amor e paz
Meu ser em eterna transmutação
Meu lapidar e aprender de humano
Entender cada vez mais o desamor do mundo
Acreditando que somente o amor
Pode tudo transmutar quebrar todos os elos negativos
Sou apenas um simples caminhante em busca do amor e da paz´
SÓ...




ESSÊNCIA

Zelisa Camargo



Queira-me pela minha essência,
Pela minha alma...
Minha face obscura não reflete no espelho,
O corpo em que habito não é meu,
Os passos que caminho não me pertencem!

Estou além desta matéria,
Tenha-me como pássaro livre,
Sem pés, mãos e corpo,
Sou o vento que sopra alma....
Sou voz que ecoa no espaço!

Sou caminhante das nuvens,
Liberta de toda carcaça,
Livre como a água do rio que corre para o mar...
Um dia, minha face verdadeira
Chegará até você!

O casulo ainda não se rompeu,
A borboleta ainda não despontou.
Sou apenas fragmentos,
Queira-me sem rosto,
Sem mãos, sem pés!
Queira-me apenas pela essência,
Queira-me toda,
Não fragmentos de mim!

Um dia,
Deparo-me com você,
A redoma limita o amor a emanar,
A carcaça falsa, não permite ser amor!
Deixa-me ser primeiro,
Deixa-me buscar minha verdadeira face!

Mas hoje habito uma carcaça que não é minha...
Dá-me tempo para ser...
Hoje flutuo no espaço sem tempo,
Mas o que importa é que
Estou renascendo!!!


SOLIDÃO
zelisa camargo



Hoje a solidão bate de leve a incomodar.
Ando como a perambular pelas ruas,
nessa madrugada onde a brisa é suave
e alisa meu rosto como a me acalentar.
Onde se encontra meu amor?
Em que paragens ?
Nada sei.
Caminhos são dispersos,
desencontrados.
O telefone não atende.
Silêncio total
e eu nada sei de ti.
A não ser uma vontade imensa
de aconchegar no teu colo
e esquecer essa dor que toma
e entrou sem eu querer,
mas veio e esta doendo o peito.
São tantas perguntas jogadas ao léu
que nem quero pensar e muito menos
dizer.
Porque me arrasto aos teus pés
se você rejeita o amor e não se permite
ser amada?
Porque dessa insistência,
dessa luta pelo impossível.

Nada mais entendo
e me ponho a caminhar sem
rumo pelas avenidas solitárias
para ver se encontro a minha
outra metade que perdi
hoje nas andanças da vida.
Preciso me recolher e me integrar
novamente e sair dessa angustia
que arrebenta peito nesse silencio profundo
onde apenas a musica entra rasgando peito,
dilacerando alma
e os pensamentos em remoinho
trazendo o passado
uma vida que se foi
e nunca mais voltara
e eu nem sei em que cama dorme hoje
e nem quem te acompanha
nessa distancia infinda.
Nada sei.
Só sei que há muito não me sentia só
e nesse momento a solidão humana doe alma
e eu choro de saudades de ti
minha amada impossível
que carrego em sonhos
sonhados no vazio de mim e de ti
que nem sabe da extensão do amor
que tenho por ti.
E apenas uma pergunta
porque ate o amor é rejeitado?
Morrerei sem entender.
zelisa camargo
20.02.05
01.22


FRASE
Não me encaixo nesse mundo, não vivo o mundano e se tenho que viver é apenas aquele momento e depois de resolvido, volto para minha solitude, quietude, paz e minhas viagens por todas as dimensões, onde descanso e durmo no atemporal, eis o motivo que não tenho o hábito de dormir e nem alimentar, vivo mais da luz e da água


Ao vento

Zelisa camargo


Tempo nublo
Fechando alma
Rompendo a sintonia de paz.
Vazio total
Vacuidade
Som entra e rasga peito
A angustia cresce
E no caminhar ao nada
Busco você
A mim.
Minha essência.
Uma lágrima desce lento
Lavando a dor incontida
E você que nem face tem
Onde se encontra?
Não agüento mais esse ser só
Este pulsar vida,
Este querer romper.
Solidão imensa.
Voz sem som.
Lágrimas que caem lentas,
Molhando o tempo do desamor.
Saudades de você
Alma que me completa, mas não chega.
O que fazer desse amor que grita sem voz?
Dessas mãos que procuram o tato e nada encontra?
O que fazer desta solidão gritante?
Deste vazio tão oco?
Como te buscar se não sei o caminho
Como andar se não encontro as pernas
Como te abraçar se me faltam os braços
E onde se encontra que não escuta o meu apelo,
Não percebe esta dor.
Esta unidade que caminha só
Que fazer deste sentir que explode peito.
Como fazer para chegar a você
Esse grito e clamor?
Minha voz muda navega á tua procura
Meu ser te busca nesta espera incessante.
Porque não acorda e percebe o meu gritar que rompe dimensões?
E porque não vens a mim que morro de espera e angustia.
Vazia alma repleta de amor.
Que caminha em sua busca, mas em que plagas não sei
Sinto seu emanar, mas não percebo sua face
Sinto seu cheiro de vida no ar,
mas não consigo captar
O lugar em que se encontra...
Jogo meu apelo ao vento para que ele leve a você.

 

 

Art: Nadir A D'Onofrio
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