Flauta & Vento

Nadir D’Onofrio

 

Som de flauta, sibilar do vento

Faz-me regredir no tempo...

 

No sopé da montanha a campina salpicada de flores, era tapete,

para nossa árvore coberta de magnólias brancas exalando, doce perfume.

Lembro-me de você recostado, ao seu tronco parecia estar,

em mundo diferente do nosso.

Passava horas tocando flauta, não lhe faltava fôlego, e agia

como se estivesse em transe!

O vento nestes momentos, sem conseguir disfarçar a inveja

fazia-se presente, em fortes rajadas rasgava folhas, partia galhos.

Sentia-se enfurecido, por não entender sua magia!

Sendo ele todo poderoso, só você era capaz deste feito soprar um

 pequeno bambu todo furado, e produzir melodias harmoniosas.

O gênio enfurecido soprava com mais força fazendo dobrar,

o majestoso bambual que, genuflexo, e sofrido gemia resultando

na mais bela sinfonia!

Feito esse que, só um coral angelical conseguiria executar,

o que ele ignorava, é que a cada golfada de ar emitida,

mais longe levava o som, que o instrumento musical produzia.

Enquanto eu... extasiada, apaixonada e orgulhosa de ti o aplaudia,

entretanto você, nunca ouviu-me, sequer notava minha presença...

 

31-05-2010*23:33h

Serra Negra-SP- Outono em noite de vento frio.

 


Formatação: Nadir
Mid:Ernesto Cortazar-Autum Rose
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