Tonho França /Nadir D'Onofrio

 

Blues à tarde com (flauta doce)... e Blues

 

 

Blues à tarde ( com flauta doce... )

 

 

Poesia Vencedora do Concurso da ABL do Rio de Janeiro Ano 2006
Parabéns Amigo e Poeta por mais essa conquista!
Nadir




Blues à tarde ( com flauta doce)
 Autor: Tonho França




Pausa à tarde ecoa flauta doce
Pelos canteiros da avenida
Brilha um alecrim-de-angola distraído
O charuto cubano mantém-me sóbrio
Apesar do cheiro de anis
(não aspiro à pressa dos prédios e dos homens)
Os elevadores presos no subsolo
Deixam-me com sensação de liberdade e improviso
(lembram-me blues, solos de blues)
Ainda tenho uma ampulheta,
Uma estatueta de louça
Fotos onde amarelam sorrisos brancos de tantos amigos
(todos ali estáticos como se não houvessem partido)
Um sax americano dos anos sessenta
E alguns selos antigos
(o camelô da esquina vendia-me até sonhos...)
mas o charuto cubano é legítimo
essa lágrima que verte sozinha, é legitima
o verso que hoje não escrevi
fez-se por si e é legítimo
e essa pausa na tarde que ecoa flauta doce,
faz o sol pôr-se em mim, sol em mim
solos de blues,
solos de blues,
solos de mim...


Tonho França.
 

 

 

 

Blues

 

Nadir A D’Onofrio


Sons do Blues
Tarde modorrenta!
Avenidas, vazias... de nós...
Sob o sol abrasador
perfume do alecrim...
Arbusto persistente,
teima em sobreviver como eu!
Esculpindo lembranças
na visagem da areia
Que desce lépida,
na antiga ampulheta.
Viro, reviro, vendo o tempo passar,
o mesmo tempo que,
deixou marcas na estatueta,
amarelou fotografias,
imprimiu na pele as rugas,
no cérebro a saudade!
Sentimento intensificado à cada dia,
acentua-se no alvorecer,
nas cores que o ocaso traz,
perpassa o vitral.
Desbotando pautas repousadas,
sobre a flauta doce.
Onde, emudecidos
acordes únicos, nossos,
melodia que não foi composta.
Perdeu-se nas pausas,
fora do compasso,
Pautas de um caso de amor,
só por mim... imaginado...


Santos SP
21/12/2006 *15:37hs

 

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Art: Nadir A D'Onofrio
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