Nadir D'Onofrio e Tarcísio

 

Anoitece e Noite

 

 

Cananéia  Litoral Sul SP

 

Anoitece


 Nadir A D’Onofrio


 Assim que noite descerra seu manto,
 Sinto medo, frio, solidão...
 Recolho-me no vazio dos meus aposentos,
 E p’ra aumentar o sofrimento,
 O canto agourento da coruja,
 Que em meu quintal resolveu se aninhar...
 Tento rapidamente adormecer,
 Quiçá eu possa sonhar com você,
 E fazer a alegria em meu ser de novo morar...
 Assim que o dia amanhece,
 Elevo a Deus minha prece.
 Respiro fundo abro os braços,
 Como que querendo abraçar o sol!
 Corro pelo gramado ainda molhado do sereno
 Pés descalços, sentindo a energia fluindo do chão...
 Uma alegria invade meu ser,
 Ao ver as flores do meu jardim!
 Lembro-me que as plantei juntamente com você.
 Nesse exato momento,
 As recordações de um passado feliz,
 Obrigam-me à raciocinar...
 Se hoje sinto a solidão,
 E pela lacuna,
 Que você sem querer...
 Deixou abrigada em meu coração...
 
 06/04/2005 19:40
 
 Santos

 

Noite...


Tarcísio R. Costa


Lá fora, a noite fria, de tenebrosa cor,
Penetra na alma das carnes desprotegidas...
E, longe, o piar de um pássaro agourento,
Zombam do sofrimento...
Da dor.


Espreito aquele silêncio,
Penso na tristeza que nos traz o manto da noite...
Penso e sinto falta do doce carinho do açoite,
Da brisa na minha face.


A noite passa, ouve-se o som canoro do sabiá,
Vindo dos distantes bosques dos meus sonhos,
Para chamar a alva, que surge vagarosa,
Para o despertar a natureza...


Cumpro, rigorosamente, o ritual do amanhecer...
Vou célere ao jardim, para visitar as minhas flores,
Embevece-me aquela mistura de cores,
Lenitivo que reanima o meu viver


Embora eu sinta sempre saudade,
Ele sempre foi a minha fiel e perene companheira,
Às vezes, a sinto, reflito sem saber o porquê,
Ms, ela para mim, é dor, mas é felicidade.


Assim, sigo sem rumo, o meu caminhar,
Sujeito às alternâncias das alegrias e das tristezas,
Contemplo, em torno de mim, esse mundo de belezas,
Que estimula o meu desejo de amar.


Ao contemplar o encanto da natureza,
Vejo que é uma incoerência a vida na solidão,
Devemos procurar sentir na alma o calor da emoção
Por esse espetáculo de indescritível beleza.



Brasília, 06 de abril de 2005

Tarcísio Ribeiro Costa

http://www.tarcisiocosta.com.br/
 

 

Mid: memoriesofgreen
Art Nadir A D'Onofrio
Respeite os Direitos Autorais